Paciente-dia: Censo Manual vs. Automatizado na CCIH:

A contagem de paciente-dia e dispositivo-dia é essencial para indicadores da CCIH, como taxas de utilização e densidade de incidência de IRAS. Neste artigo, mostramos conceitos oficiais, exemplos práticos e como o Vigispec facilita esse processo — seja no método manual ou automatizado — garantindo dados confiáveis e eficiência para a equipe.

28 de agosto de 2025

Chafic

Relevância da contagem paciente-dia e dispositivos-dia e impacto nos indicadores

Na rotina da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), poucos dados são tão estratégicos quanto a contagem de paciente-dia e dispositivo-dia (VM, SVD, CVC).
Conforme detalhado no artigo Indicadores de IRAS: Conceitos fundamentais para sua prática, esses valores são os denominadores essenciais para o cálculo de indicadores como:

  • Taxa de utilização de dispositivos;
  • Densidade de Incidência de IRAS (PAV, ITU-SVD e IPCSL-CVC)
  • Outros indicadores que envolvem paciente-dia

Portanto, sem esses números confiáveis, os indicadores perdem precisão, dificultando a comparação entre setores, hospitais, acreditações e notificação mensal para ANVISA.

Conceitos da Contagem de Paciente-dia

De acordo com a Portaria MS nº 312, de 30 de abril de 2002, é a “unidade de medida que representa o atendimento prestado a um paciente internado, durante um dia hospitalar. Corresponde ao número de pacientes internados às 24 horas de determinado dia, incluindo os que tiverem alta, óbito ou transferência neste dia.”

Já o NHSN, diz: “para cada dia do mês, no mesmo horário a cada dia, registre o número de pacientes na unidade de internação. Ao final do mês, a soma de todos os dias é registrada. Essa contagem pode ser feita eletronicamente ou manualmente por uma contagem diária ou por amostragem semanal.”

A maneira ideal de registrar o paciente-dia é atribuir um ponto para cada paciente que pernoita no hospital, ou seja, contabilizar todos os pacientes internados às 0h. Ao final do mês, a soma desses pontos corresponde ao total de paciente-dia da instituição.

A contagem de dispositivo-dia (VM, SVD e CVC) segue exatamente a mesma lógica: um ponto é atribuído sempre que o paciente estiver em uso do dispositivo no horário de corte (0h), independentemente de alta, óbito ou retirada posterior.

Lembrando que nos casos de contagem manual recomenda-se utilizar um horário fixo como 8h para análise beira leito.

Exemplos práticos

  • Paciente-dia 1: um paciente internado às 0h recebe alta às 10h → conta 1 paciente-dia.
  • Paciente-dia 2: um paciente admitido às 23h do dia anterior e ainda internado às 0h → conta 1 paciente-dia.
  • Dispositivo-dia (VM): paciente em ventilação mecânica às 0h, mas extubado às 7h → conta 1 VM-dia.

Em resumo, se o paciente estava internado no horário de corte (0h ou 24h, ou conforme a instituição), ele entra na contagem daquele dia.

Possibilidade da Contagem Manual e Automatizada do Paciente-dia

A coleta pode ser feita de duas formas:

  • Manual: contagem direta por equipes de enfermagem ou CCIH, a partir de prontuários e observação nos setores.
  • Automatizada: extração de dados de internação e dispositivos diretamente do prontuário eletrônico ou sistemas integrados, como o Vigispec.

Ambos os métodos são válidos, mas apresentam diferenças importantes que vamos discutir ao longo do artigo.

Método Manual

O método manual é o mais utilizado nas CCIHs e consiste na contagem beira leito do paciente internado e do dispositivo utilizado.

Como Fazer:

  • Definir quem vai fazer a contagem (SCIH ou equipe assistencial)
  • Definir um horário fixo (geralmente 8h).
  • Conferir pacientes internados em cada unidade no horário definido
  • Registrar a presença de dispositivos (VM, SVD, CVC).
  • Consolidar os dados em planilhas ou formulários padronizados ou pra quem usa o Vigispec, inserir em nosso formulário via Smartphone, Tablet ou Computador

Benefícios:

  • Independe de tecnologia complexa, da pra contar até com “palitinho”
  • Útil em hospitais pequenos ou com baixa informatização
  • Possibilita contato direto da equipe da CCIH com os setores.

Riscos:

  • Erros humanos: esquecimento de pacientes ou dispositivos.
  • Consumo de tempo: da equipe da SCIH ou assistencial.
  • Inconsistência: diferentes setores podem registrar de formas distintas.
  • Final de semana pode precisar alterar o método e buscar retroativo no prontuário eletrônico

Método Automatizado

O método automatizado é mais utilizado por hospitais que contam com um prontuário eletrônico robusto, onde a equipe assistencial registra de forma consistente o uso de dispositivos, e que dispõem de uma equipe de TI capaz de consolidar os dados em relatórios ou painéis de BI. Alternativamente, instituições que utilizam soluções especializadas, como o Vigispec, podem realizar essa consolidação de forma automatizada e integrada à rotina da CCIH.

Como Fazer:

  1. Garantir uma rotina de inserção do dispositivo no prontuário eletrônico pela equipe assistencial
  2. Configurar ou validar o método do horário de corte e variáveis (paciente, VM, SVD, CVC).
  3. Configurar e validar relatórios com os dados consolidados

Benefícios:

  • Agilidade: cálculo em segundos.
  • Padronização: elimina variações entre setores.
  • Rastreabilidade: permite auditoria e histórico de contagens.

Riscos:

  • Dependência da qualidade do registro eletrônico.
  • Necessidade de validação periódica (NHSN recomenda validação com método manual – discutido abaixo)
  • Custos de implantação tecnológica em alguns cenários.

    Validação do Método Automatizado

    De acordo com as orientações do NHSN (National Healthcare Safety Network), todo processo de censo automatizado deve ser submetido a um período de validação comparativa com o método manual.

    Essa validação consiste em realizar, por no mínimo três meses consecutivos, a contagem simultânea pelos dois métodos e, ao final, comparar os resultados. A variação aceitável entre as duas formas de coleta não deve ultrapassar 5%. Portanto, caso a diferença seja superior, recomenda-se revisar a integração do sistema, corrigir inconsistências de registros ou reforçar treinamentos da equipe assistencial.

    Esse processo assegura que os dados extraídos eletronicamente reflitam a realidade da assistência prestada, conferindo confiabilidade e rastreabilidade aos indicadores utilizados pela CCIH.

    No Vigispec, esse processo de validação já está incorporado. O sistema permite a coleta automatizada dos dados, ao mesmo tempo em que oferece a opção de inserção manual para comparação. Além disso, disponibiliza um dashboard interativo, onde é possível analisar os resultados e comprovar, de forma objetiva e transparente, a acurácia dos dados perante órgãos acreditadores e de vigilância sanitária.

    Qual Melhor Cenário Hospitalar Para Escolha

    A decisão entre manual ou automatizado depende de grau de maturidade do hospital e suas condições:

    • Hospitais pequenos, com prontuário em papel: método manual pode ser mais viável, com a coleta pela equipe da SCIH, aproveitando para ter contato diário com equipe de setor crítico como UTI
    • Hospitais de médio porte com prontuário eletrônico: Podem implantar o método manual com coleta pela equipe assistencial treinado e auditorias periódicas. (Vigispec permite liberar acesso para equipe assistencial inserir dado da contagem manual).
    • Hospitais grandes, alta complexidade e informatizados: recomendável método automatizado validado (NHSN), com apoio da CCIH para auditoria.
    • Também deve-se considerar o dimensionamento da equipe de SCIH: equipes pequenas se beneficiam muito mais da automação, pois liberam tempo para análise crítica em vez de coleta de dados.

    Em resumo, não existe um método único considerado certo ou errado. Tanto o manual quanto o automatizado são valiosos em cenários distintos, desde hospitais menores com baixa informatização até instituições de grande porte e alta complexidade. Enfim, o mais importante é que, em ambos os casos, haja cuidado rigoroso na coleta e na validação dos dados, garantindo que os indicadores da CCIH sejam consistentes e confiáveis.

    Como o Vigispec Atende Hospitais em Todo os Cenários

    O Vigispec foi desenvolvido justamente para apoiar hospitais em diferentes estágios de maturidade:

    • No cenário manual:
      • Permite registrar paciente-dia e dispositivo-dia de forma estruturada em um formulário
      • Formulário pode ser preenchido a beira leito por celular ou tablet, tanto pela SCIH quanto pela equipe assistencial
      • Dados inseridos geram automaticamente os indicadores (DI incidência IRAS, Taxas de Utilização)
    • No cenário automatizado:
      • Integra-se ao prontuário eletrônico e gera os indicadores automaticamente.
      • Aplica as regras de cálculo (paciente às 0h, dispositivos em uso).
      • Facilita a validação exigida pelo NHSN, comparando dados manuais e automáticos.

    Conclusão

    O censo hospitalar — seja manual ou automatizado — é a base para cálculo de indicadores críticos da CCIH.

    • O método manual ainda é válido em hospitais menores, mas apresenta riscos de erros e alto consumo de tempo.
    • O método automatizado traz ganhos de velocidade e confiabilidade, desde que validado corretamente.
    • O Vigispec oferece suporte para ambos os cenários, garantindo dashboards consistentes e integrados à rotina da CCIH.

    No final, a melhor escolha depende da maturidade tecnológica, porte hospitalar e estrutura da equipe de SCIH, mas o futuro aponta para a automação como padrão seguro e eficiente.

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    Referência com link atualizado

    1. Ministério da Saúde (Brasil). Portaria nº 312, de 30 de abril de 2002.
      Dispõe sobre a padronização do censo hospitalar e os conceitos de paciente-dia e leito-dia. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br
    2. Nota Técnica 01/2025: Vigilância das IRAS:
      NOTA TÉCNICA GVIMS/GGTES/DIRE3/ANVISA nº 01 / 2025.
      Orientações para vigilância das Infecções Relacionadas à assistência à Saúde (IRAS) e resistência aos antimicrobiana em serviços de saúde – ano: 2025
    3. Nota Técnica 03/2025: Critérios IRAS Notificação Obrigatória
      NOTA TÉCNICA GVIMS/GGTES/DIRE3/ANVISA Nº 03 / 2025
      Critérios Diagnósticos das infecções relacionadas à assistência à saúde de notificação nacional obrigatória – ano: 2025.
    4. National Healthcare Safety Network (NHSN). Patient Safety Component Manual. Centers for Disease Control and Prevention (CDC), 2023. Disponível em: https://www.cdc.gov/nhsn
    5. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Manual de Indicadores de Qualidade Hospitalar. Rio de Janeiro: ANS, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/ans
    6. Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP). Indicadores de Qualidade e Segurança do Paciente. Relatório de Indicadores Hospitalares, 2022. Disponível em: https://www.anahp.com.br
    7. Cambridge University Press. A systemwide approach to validation of electronic device denominator data. Infection Control & Hospital Epidemiology, v. 41, n. 7, p. 1–7, 2020. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/infection-control-and-hospital-epidemiology
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